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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Exército manda que general se cale sobre 64

Palestra com o tema ‘A contrarrevolução que salvou o Brasil’ é cancelada por ordem do comandante da força

O Comando do Exército abortou na última hora uma palestra com potencial explosivo do diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), general Augusto Heleno, cujo tema seria "A contrarrevolução que salvou o Brasil", em referência ao 31 de março de 1964, data que marca o início da ditadura militar.

A apresentação do general estava confirmada até as 17 h de quarta-feira, quando chegou a ordem do comandante do Exército, Enzo Peri, determinando o cancelamento do evento. A apresentação ocorreria no mesmo dia em que Heleno, liderança expressiva na caserna, foi para a reserva.

Primeiro comandante brasileiro no Haiti, o general Heleno preferiu silenciar sobre o conteúdo da palestra e também sobre os motivos pelos quais o evento foi cancelado. Disse apenas que cumpriu ordem superior:

— Recebi ordem. Sou militar, recebo ordem. Hierarquia e disciplina. Recebi a ordem ontem, no final da tarde. Tem uma frase famosa: nada a declarar — afirmou Heleno.

O general Heleno se limitou a dizer que a abordagem seria exclusivamente "31 de março de 1964", mas não quis entrar em detalhes sobre o contexto histórico que seria levado aos colegas de farda.

Nas redes sociais, militares se preparavam para o "desabafo de Heleno". Um oficial ouvido pelo GLOBO disse que o depoimento era aguardado com "grande expectativa".

Nesta semana, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, determinou aos comandantes das três Forças que não houvesse qualquer ato que exaltasse a data que deu início ao regime militar.

Entretanto, como Heleno é general de quatro estrelas com grande destaque na tropa, coube ao comandante Enzo Peri a tarefa de impedir sua manifestação, às vésperas de sua aposentadoria.

Quanto às comemorações nos clubes militares, o ministério avalia que não tem como evitar ou tentar coibir manifestações de oficiais da reserva que estavam na ativa naquele período.

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/04/01/exercito-manda-que-general-se-cale-sobre-64-371418.asp

Comentário do blog
Democracia brasileira é assim mesmo: só para inglês ver.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Brasil bate recorde de notícias censuradas no Google

São Paulo - Só na primeira metade do ano passado, o Google foi obrigado por autoridades brasileiras a tirar do ar 398 textos jornalísticos. Foi recorde mundial do período. O dobro do segundo da lista, a Líbia. O dado está no relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado ontem em São Paulo. Além disso, nos dias finais da corrida eleitoral brasileira, os juízes do País emitiram 21 ordens de censura, revela uma pesquisa do Centro Knight para o Jornalismo, do Texas (EUA). Muitas agências de notícias foram também multadas ou tiveram de remover conteúdos.

"Esse quadro mostra que a censura e a autocensura, que vem junto, estão atingindo níveis muito sérios no Brasil", resumiu Carlos Lauria, coordenador do CPJ, que veio ao Brasil apresentar o levantamento Ataques à Imprensa em 2010. Ele distribuiu ainda outro texto menor sobre a situação na América Latina, em encontro promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). "Nossos levantamentos apontam 44 jornalistas mortos em serviço e 145 presos, em todo o mundo, no ano passado", resumiu.

A censura ao jornal O Estado de S. Paulo, hoje em seu 565.º dia, é o destaque de abertura do levantamento sobre o continente. "É espantoso que, num país como o Brasil, um dos maiores jornais seja proibido de noticiar um grande escândalo, que envolve figuras políticas conhecidas. Não consigo imaginar o The Washington Post sendo proibido de publicar algo sobre um ex-presidente americano", disse ele. Lauria vai a Brasília amanhã, onde se reunirá com autoridades do Planalto, da Secretaria das Comunicações e dos Direitos Humanos. A agenda inclui uma visita ao Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia/2011/02/16/brasil-bate-recorde-de-noticias-censuradas-no-google.jhtm

Comentário do blog

O Brasil não é uma democracia. Democracia pressupõe, entre outras coisas, dois fundamentos básicos: acesso à informação e representatividade política.

Num país em que mais de 80% da população tem posições conservadoras (em questões como aborto, drogas, armas, etc.) e não existe sequer um partido conservador, não há representatividade política, senão um arremedo de arranjos partidários escusos.

E falar em acesso à informação no país campeão de censura, que conseguiu esconder por anos o Foro de SP (ainda esconde as relações PT-FARC), é uma piada. De mal gosto.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

No dia em que recebe Dilma, PT volta a criticar mídia e pede democratização

Eugênia Lopes e Vera Rosa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

No primeiro encontro da presidente eleita, Dilma Rousseff, com o Diretório Nacional do PT, o partido ressuscitou a tese da regulação de conteúdo da mídia. Ao final da reunião, ontem, o PT aprovou resolução propondo a "democratização da comunicação" e "um debate qualificado acerca do conservadorismo" que "se incrustou" nos meios de comunicação e na sociedade.

O texto recebeu sinal verde depois que Dilma já havia deixado o encontro. Ao fazer uma saudação ao PT, ela se emocionou e chegou a chorar. Pediu "compreensão", "tolerância" e "maturidade" dos petistas para governar. "Temos de governar para aqueles que nos apoiaram e para aqueles que não nos apoiaram", disse a presidente eleita.

Em meio à disputa travada por partidos aliados que querem ocupar mais ministérios, Dilma pregou a unidade do PT, defendeu as alianças e admitiu haver uma "complexa relação" entre partido, governo e movimento social. "Aprendemos a conviver com as diferenças. E sabemos que é possível, apesar das diferenças, criar um consenso em prol do Brasil", discursou ela, diante da plateia formada por 200 petistas, entre os quais quatro governadores.

Quatro horas depois, a resolução que passou pelo crivo do PT - intitulada "Uma Grande Vitória" - sustentava que, além da reforma político-institucional, é urgente democratizar a comunicação. No documento, o PT diz que fará isso "respeitando a liberdade de imprensa". O texto também prega o "caráter laico do Estado brasileiro" e diz que a atual "guerra cambial" é apenas um dos sintomas das incertezas econômicas e políticas no âmbito internacional.

"Foi uma posição do partido. Não diz respeito à proposta do governo. A ação partidária não está relacionada com ações do Executivo", afirmou o presidente do PT, José Eduardo Dutra. O debate sobre o "conservadorismo" e a renovação da cultura política foram considerados "medidas essenciais para superar o descrédito de amplos setores da sociedade para com partidos e instituições".

Nos últimos oito anos, o governo do PT fez algumas tentativas de restringir a liberdade de imprensa. Em 2009, por exemplo, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) chegou a propor "controle social" dos meios de comunicação, o que foi interpretado como uma tentativa de volta à censura.

A primeira versão do programa de governo de Dilma entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também pregava o controle da mídia. A proposta apontava medidas para combater o chamado "monopólio" dos meios de comunicação. Diante da repercussão negativa, o comando da campanha retirou a proposta.

Cargos. A divisão de espaços no futuro governo e a formação de um "blocão" no Congresso, integrado por cinco partidos (PMDB, PP, PR, PTB e PSC), dominaram os bastidores da reunião do diretório petista. "O PT e o PMDB estão condenados a se entender e a governar juntos com os partidos que apoiam Dilma", resumiu o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, reabilitado na cena política.

A portas fechadas, o PT não escondeu seu apetite por cargos. No governo Lula, o partido ocupa 17 dos 37 ministérios, mas quer ampliar seus domínios. Ficou acertada a criação de uma comissão, com integrantes da Executiva, para fazer o mapeamento das vagas e apresentar sugestões de áreas que o PT quer abocanhar. O PT está de olho em Comunicações, Saúde e Integração Nacional - ministérios administrados pelo PMDB -, além de Cidades, nas mãos do PP.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101120/not_imp642736,0.php

Comentário do blog
Democratização, neologismo da moda petista, não quer dizer outra coisa que não controle e distribuição entre os seus (deles, claro).

O PT reafirma seu compromisso com os controles sociais, com a luta de classes e religiosa. Afinal, um Estado que defende a liberdade religiosa se caracteriza por não se impor à prática religiosa, seja em prédios públicos ou particulares. Qualquer determinação que proiba a exibição de símbolos religiosos coloca o Estado não como laico, mas como antirreligioso.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Agora é pra valer: PT declara guerra à imprensa livre

Já havia um monte de gente tentando embarcar na Dilma Tchutchuca da Democracia? É mesmo? Pois a “resolução política” do Diretório Nacional do PT deixou claras as prioridades. Alguns tolinhos dirão que uma coisa é o partido, e outra, o governo. O auto-engano é um direito. Releiam o texto. Para o PT, são quatro os objetivos estratégicos do novo governo:

- erradicar a pobreza absoluta;
- reagir à crise internacional que hoje assume a feição do conflito cambial;
- fazer a reforma política;
- democratizar os meios de comunicação.

“Democratizar”, em petês, significa “controlar” em português. Voltem ao documento e reparem que a questão da “mídia”, como eles chamam, foi a que ocupou mais tempo do redator. E o partido deixa claro que não se trata, sei lá, de uma questão jurídica ou outra que estariam por ser resolvidas. Não! Os petistas querem um “debate qualificado acerca do conservadorismo que se incrustou em setores da sociedade e dos meios de comunicação”

“Incrustar”, nesse sentido, quer dizer “alojar-se”, “esconder-se”, “acoitar-se”, como se esses supostos conservadores fossem, sei lá eu, bandidos, uma gente má, que precisa, para recorrer a um verbo da predileção de Lula, ser “extirpada”. Não se enganem: a natureza do lobo continua a ser a mesma. Não vai mudar. Mas atenção! O PT quer preservar a liberdade de expressão, tá? Seguindo os passos daquele “companheiro” iraniano dos petistas (ver post sobre Irã), todos devem ser livres. Isso só depende “do que querem dizer”… Ainda voltarei a este assunto na madrugada. Uma coisa é certa: eles vão tentar botar pra quebrar.

O documento também tem um lado cômico, quando identifica o PT como “partido de esquerda e socialista”. Essas palavras, obviamente, não valem pelo seu valor histórico. Modernamente, querem dizer apenas que o PT se considera monopolista das tais “lutas populares” e que, de fato, conserva o mesmo horror à democracia que marca a história das esquerdas — de qualquer esquerda. Nesse particular, ele é a expressão de uma tradição. E só nisso. Ou como explicar que uma das figuras de proa do partido seja o “socialista” José Dirceu, cuja profissão hoje em dia é “consultor de empresa privada”?

É preciso saber ler: a resolução política do PT é uma declaração de guerra à imprensa livre. E vai se dar em várias frentes: 1) na legal, tentando aterrorizar as empresas de radiodifusão por intermédio das concessões públicas; 2) na política, tentando patrulhar o pensamento divergente; 3) na econômica, tentando asfixiar as fontes de financiamento do jornalismo independente e financiando regiamente os áulicos.

Quem topa fazer uma aposta?

PS - Só os tolos imaginam que, num momento como esse, tal resolução tenha sido tornada pública sem o aval de Dilma a cada linha.

Texto publicado originalmente às 22h33 de ontem

Por Reinaldo Azevedo

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/agora-e-pra-valer-pt-declara-guerra-a-imprensa-livre/

Comentário do blog
O cerco se fecha a cada dia, e ainda assim tem quem não vê.

Em relação à resolução, citada pelo autor, foi resultado do III Congresso do PT. Mas pegou tão mal, que tiraram do site do partidão.

Mas as resoluções foram lapidadas e reunidas em um texto cheio de chavões e neologismos adorados pelos socialistas ("democraticamente", " justo", "direitos humanos", "desigualdade", etc). Essas resoluções estão disponíveis e não basta somente lê-las, mas interpretá-las. Veja o que elas falam sobre "Comunicação":
"A ofensiva dos meios de comunicação comerciais contra o PT e o governo Lula, manifestada mais claramente na crise de 2005, nas eleições de 2006 e, mais recentemente, no episódio do acidente com o avião da TAM, é apenas a face mais visível (porque relativa a interesses políticos imediatos e palpáveis) do grande poder que possuem hoje os grupos empresariais que os controlam e da importância da mídia na disputa de hegemonia na sociedade, dado seu alcance na formação de valores e opiniões"

Lembram a vergonha que foi a crise de 2005 e o acidente da TAM? Como a mídia denunciou o (des)governo, essas críticas (bem fundamentadas, diga-se) são uma "ofensiva dos meios de comunicação comerciais contra o PT e o governo Lula" (quanta idolatria). E segue:

"A primeira gestão do governo Lula iniciou importantes debates na área das comunicações. Mas se defrontou com a resistência de setores conservadores contra ações que alterassem o quadro do setor. Isso se refletiu em dificuldades para impulsionar medidas desta natureza. Para o segundo mandato, fica a herança de desafios fundamentais para democratizar as Comunicações no Brasil.

Com a reeleição de Lula, cabe ao PT, ao governo e às demais forças progressistas compreenderem o momento novo que se abre, priorizando esforços e
recursos para que, também no campo das comunicações, o Brasil se torne uma sociedade mais justa e democrática. Este avanço, em específico, é fundamental para equilibrar os instrumentos de disputa ideológica em favor de um projeto de transformação da ainda persistente dívida social do País em detrimento do monopólio do projeto conservador expresso na grande mídia comercial."

Para o PT, não basta não ser denunciado pelos esquemas milionários, pela compra do Congresso, pelos mais de 50.000 homicídios (em grande parte, decorrente do tráfico de drogas, que por sua vez é fruto da ação das FARC, "miguxos" dos petistas, como se pode ver nas atas do Foro de SP). Não, para eles não basta isto. Têm que ser absolutamente intocáveis. Precisam de TODA a mídia na sua mão.

Tem mais:

"Tarefa fundamental é garantir a existência dos sistemas estatal e público de comunicação. O primeiro deve servir como meio legítimo de difusão das informações de interesse dos três poderes que compõem o Estado, nos três níveis da Federação. Já o sistema público deve produzir conteúdos de finalidade educativa,cultural e artística e dar voz às expressões diversas da sociedade organizada, com autonomia e gestão participativa."

O que é a tal da sociedade organizada? ONGs. E que ONGs tem mais voz? As que possuem capacidade de se fazerem ouvidas. Como se obtém isto? Através de influência política e finaceira. No fim, só será ouvido quem fizer parte de ONGs politicamente corretas e que levem muito dinheiro do Estado. E sabemos como é a distribuição de verbas para ONGs pelo PT, não?

Na prática, a sociedade civil organizada nada mais é do que um tentáculo do próprio governo, através de ONGs comandadas e financiadas por ele mesmo.

E no mesmo parágrafo: 

"O sistema privado, já consolidado na figura dos meios comerciais, deve ser alvo de efetivo controle contra o monopólio, a exemplo de outros países, e deve ser  também alvo de políticas que introduzam reservas de programação independente e regionalizada. O segundo mandato do presidente Lula já deu um passo  importante nessa direção, iniciando a reconstrução de sistema público de rádio e TV, criando uma política própria para o setor e investindo recursos para queesse sistema tenha qualidade e alcance nacional. Para alcançar êxito neste empreendimento, um aspecto fundamental é permitir que a gestão seja efetivamente participativa, impedindo sua apropriação pelo mercado."

Esta aí o controle da mídia. E a resolução continua, dando os passos a serem seguidos para obter esse controle da mídia:

"Nesta medida, o PT propõe a imediata revisão dos mecanismos de outorga de canais de rádio e TV, concessões públicas que vêm sendo historicamentetratadas como propriedade absoluta por parte das emissoras de radiodifusão. Esta atualização passa pelo cumprimento da Lei, haja vista a flagrante ilegalidadeem diversas emissoras, por maior transparência e agilidade nos processos e pela criação de critérios e mecanismos para que a população possa avaliar e debater não somente a concessão, mas também a renovação de outorgas."

Há alguma diferença com o que está sendo feito na Venezuela?

"No campo da radiodifusão comunitária, o PT defende a adoção de uma política clara criando condições para que um número cada vez maior de localidadespossam contar com essas emissoras, multiplicando os canais de expressão, potencializando a circulação das informações e fornecendo conteúdos não necessariamente ligados aos consensos midiáticos da imprensa monopolista."

(...)

"Para manter o caráter democrático e popular das rádios comunitárias, é preciso ainda criar instrumentos que coíbam a apropriação dessas emissoras por grupos políticos e religiosos locais – processo que reproduz a lógica dos grandes negócios da comunicação e que nosso governo, justamente por ausência de uma política mais consistente para o setor, não tem sido capaz de evitar."

Claro, grupos políticos que não sejam alinhados ao PT e grupos religiosos que não forneçam as  "Organizações de Base" para o lulopetismo.

Estas informações estão disponíveis no próprio site do PT:
http://www.pt.org.br/portalpt/images/stories/arquivos/resolucoes3congresso.pdf

Não se enganem, o aspecto cor-de-rosa dessas resoluções é apenas a camada mais externa e visível do seu profundo vermelho. O pior, é que eles mesmo já estão nos avisando.